Então você me vem com essa história de que vamos ser um casal diferente. Nada de chatices como filmes para tirar o tédio de domingos, jantares nos mesmos restaurantes ou até mesmo que iriamos trocar o jantar pelo café da manhã, viajar para os lugares mais exóticos, enfim, você nos queria jovem para sermos eternos em todos esse momentos. Porém, não importava o quão inusitada você queria que nossa vida fosse, no final, o que sobrava eram essas chatices que todos os casais passavam, caímos em rotina mesmo brigando com nós mesmo a cada dia para termos um pouco de eternidade. Sabe, Querida, enfeitamos nosso laço nunca foi o mais bonito, apenas tinha o completo perfeito da gente, mas a linha não foi forte o suficiente para nos segurar. Nos tornamos fiapos de nós dois e, para infelicidade do nosso eterno, não há agulha que nos junte novamente.

Eu gosto assim, desse jeito. Gosto dessa nossa relação que o tempo construiu. Gosto dessa sua tentativa frustrada de me fazer sentir ciúmes e vice-versa. Gosto do jeito que nos gostamos. Não vivemos dizendo “eu te amo” um para o outro, mas sei que existe muito sentimento atrás de todos aqueles chato, bobo, babaca, insuportável… Gosto de ser amigo, namorado, confidente e por que não amante? Seu amante. Não precisamos fazer juras de amor. Não precisamos de palavras que o vento pode levar. Não precisamos de promessas que não serão cumpridas. Precisamos um do outro. Precisamos dessa nossa química. Desse nosso jeito estranho de demonstrar afeto.

O essencial é invisível aos olhos. Quem ama vê além da aparência física e é isto que ama: a essência.
